A gente chegou no fim da primeira semana, e eu te devo a explicação do nome. Por que "com amor"? Por que não "neurodivergindo" e ponto, seco, técnico? Porque foi exatamente o amor que faltou no caminho — e é ele que eu quero colocar de volta aqui.

O que faltou no meu caminho

Quando eu comecei a procurar, de madrugada, eu encontrei muita informação. O que eu quase não encontrei foi acolhimento.

Encontrei texto que assustava. Encontrei lista de sintomas que parecia sentença. Encontrei tom de tragédia de um lado e de superpoder de mentira do outro — e nenhum dos dois falava da vida real, da casa real, do cansaço real e do amor real que cabem na mesma semana. O que faltou foi alguém sentado do meu lado dizendo "calma, eu também passei por isso, e dá pra atravessar".

É essa cadeira que eu quero ocupar aqui. A do lado.

O que esse espaço é

Esse é um espaço de vivência. Eu sou mãe neurodivergente, e a minha casa é neurodivergente. Eu venho aqui contar como é viver, amar, casar e maternar com cérebros que funcionam diferente — com o difícil e o bonito, sem esconder nenhum dos dois.

Vou dividir o que funciona na minha casa: estratégias de regulação, de rotina, de sobrevivência sensorial, de comunicação. Vou indicar livros, brinquedos e recursos que ajudaram a gente. Vou apontar outros criadores neurodivergentes que valem a pena, porque isso aqui é comunidade, não competição.

O que esse espaço NÃO é

E preciso ser muito clara sobre os limites, porque eles são o que torna esse lugar confiável:

O convite

Se você chegou até aqui, talvez esteja exatamente onde eu estava: desconfiando de algo, sentindo-se meio sozinha, sem saber se é exagero seu. Então recebe isto como recebi de mim mesma, tarde demais e ainda assim a tempo:

você não está sozinha, não está atrasada, e não está fazendo tudo errado.

Eu fui procurar respostas sobre uma criança e o primeiro diagnóstico que caiu foi o meu. Dessa porta eu saí com mais perguntas do que respostas — mas saí, pela primeira vez, com companhia. É essa companhia que eu quero te oferecer.

Semana que vem a gente continua. Tem muito chão pela frente. E a gente vai atravessar — com amor, do jeito que dá, um dia de cada vez.

Bem-vinda. 💛